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#ChangeBrazil, #OccupyGezi, #StopWatchingUs – A revolução global acabou de começar

19. August 2013 in Blog - alle Themen

 

 

 

 

 

 

 
by Florian Hauschild

A tranquilidade que pairou por um tempo nas grandes ruas e praças do mundo quase nos fez esquecer o constante decaimento de um sistema que não funciona mais. Um sistema que trabalha globalmente, interligado em vários níveis, e que em toda a parte do mundo tem as mesmas consequências nefastas: Pobreza, desigualdade social, destruição do meio ambiente, extrativismo, injustiça, corrupção, violação de direitos humanos, pessoas desabrigadas, fome e guerra.

O grande demônio – “O Sistema” – tem hoje muitos nomes: Capitalismo, Neoliberalismo, Pósdemocracia, Ditatura de Mercados; mas nenhuma destas seria suficiente para abranger seus problemas diversos e em vários níveis. Há que se desvendar „O Sistema“ dividindo-o em partes para analisá-lo percisamente. Este esforço porém valeria a pena para encontrar os mecanismos que, em última análise, são a razao pela qual há centenas de anos as pessoas protestam, ocupam, constróem seus póprios meios de comunicação, e trabalham em novos conceitos de uma democracia básica decentralizada e viva, testando-a, discutindo, e mesmo assim reconciliando-se ao final.

Usamos nesta luta técnicas e símbolos globais, porque esta é uma luta comum. Uma luta que começou em 1983 na Selva Lacandoma nas montanhas de Chiapas. O Ejército Zapatista de Liberación Nacional  (EZLN) mexicano e suas demandas de “abrigo, terra, trabalho, pão, saúde, educação, independência, justiça, democracia, liberdade” podem ser interpretados hoje como inspiração e guia para os últimos movimentos, principalmente desde 2011, primeiro no mundo árabe, depois em 2012 na Espanha, Portugal, Grécia, nos Estados Unidos, na Europa Central e finalmente no mundo inteiro. No verão de 2013 são as pessoas na Turquia e no Brasil que impõem um novo impulso e mostram para o mundo: A revolução global acabou de começar!

Neste longo caminho que percorremos até agora ampliamos nossas competências e nosso conhecimento e ganhamos meios poderosos: A internet é sem dúvida o maior deles, que possibilita conectar as ilhas descentralizadas de resistência criando uma rede entre elas. Tivemos várias experiências nos últimos anos que já podemos compartilhar. Do Egito e da Tunísia sabemos: Não foi por si só suficiente para varrer um déspota do poder, mas assim mesmo foi necessário.

Tendo sido eleito, embora que na perspectiva moral não seja mais legítimo, espera-se que Recep Tayyip Erdogan venha a seguir os mesmos passos de Husni Mubarak e Zine el-Abidine Ben Ali. Alguns problemas poderiam ser solucionados imediatamente sem muito esforço, mas mesmo assim muitas outras novas tarefas aparecerão. Até agora todas as tentativas de democracia no mundo baseadas no voto distrital[1] (de maioria simples) e por compromissos indolentes cairam por terra: Elas resultam em sistemas dominados por uma orientação pelo lucro económico e tornam-se brinquedos e ferramentas nas mãos das oligarquias, não criando espaço para organizar as necessidades do povo.

No Brasil a situação politica é ainda mais complexa: o exercício do poder repressor não tem sua fonte no governo federal, mas nos partidos conservadores de oposição que controlam o congresso nacional, grande parte dos Estados, e por consequência também a polícia. Um confronto direto com a presidente Dilma Rousseff seria aqui não só contraproducente, mas fortaleceria ainda mais as forças destrutivas.

Torna-se cada vez mais necessário olhar para as estruturas de poder, de opressão e de explocração como tais, afim derrota-las como um conjunto.

Na esfera politica isso significaria desenvolver e testar instrumentos de consenso[2], de tomada de decisão conjuntas e sem hieraquia, assim como avançar na implementaçao da participação direta e da co-gestão[3], o que seria um passo a mais na direção de uma autonomia real e descentralizada.

No nível econômico significaria tirar o poder dos “global players“, que são hoje corporações como a multinacional Monsanto ou organizações como a FIFA, tornando-os desnecessários. Alimentos de produção propria são afinal muito mais gostosos do que pizzas congeladas. E não seriam os torneios de futebol organizados livremente mais divertidos – e sobretudo mais autenticos – do que os grandes eventos profissionais com design perfeito? São esses diversos projetos, iniciativas e abordagens, de implementalçao descentralizada, que juntos fazem a gigante máquina desnecessária. A economia deve servir novamente ao homem, e não o homem à economia. Isso só é possível através da eliminação do pensamento unilateral do lucro e do crescimento e de um novo alinhamento das atividades economicas a consideraçoes sociais e ecológicas – ou seja, uma economia orientada para o bem comum. Finalmente, questões de propriedade e posse também devem ser revistas.

Da mesma maneira global temos que reorganizar nossos sistemas monetários. A iniciativa de Vollgeld /Positive Money serve como um passo significativo para a retirada do destrutivo e globalmente atuante sistema de moeda escritural[4].

Além disso é nossa tarefa intensificar construção da rede das mídias decentralizadas para oferecer, a respeito de todas essas questões, uma visão alternativa à da mídia corporativa. Diversas vezes já vimos que as empresas de meios de comunicação orientadas com fins lucrativos deixam-se comprar. O resultado disso é a omissão ou reinterpretação questoes sociais importantes, ou mesmo pior: As mídias tornam-se capangas das oligarquias.

 

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Vemos como as medidas globais de vigilância têm tentado pôr fim a esses nosso novos espaços de produção através do controle e da intimidação. É importante que permaneçamos firmes! A Internet pertence a cada um de nós.

Por causa disso em 31.08.13 acontecem em cidades por todo o país manifestações sob a hashtag #StopWatchingUs (http://www.stopwatchingus.org)

A longo prazo também é importante e necessário reformar de uma maneira justa o sistema de educação, de saúde, de pensão e de previdência social. Tudo isso levará décadas – Vamos devagar, porque vamos longe.

E também: Em ultima instância, somos nós mesmos O Sistema. O grande demônio é o resultado de todas as nossas ações acumuladas. É Global observar que a emergência de novos centros de rebeliao leva primeiramente, em especial aos participantes diretos, uma grande euforia.

A densidade das redes cresce, da mesma forma a comunição, amizades fazem-se, há um consenso. Mas não é um estado estável. Logo as diferencas afloram, brigas começam, o número de amigos novos diminuem, seguem as desilusões. Mas este estado intermediário também só é um estado temporário. Ele será superado no momento em que nós nos percebermos não só intelectualmente, mas como também de uma emocional e espiritualmente:

„Probleme kann man niemals mit derselben Denkweise lösen, durch die sie entstanden sind.“

“Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criámos.”

Albert Einstein


[1] No original, “Mehrheitswahlrecht“

[2] No original, “Konsensierung”.

[3] “Mitbestimmung”.

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